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14 de Agosto de 2018

Não dirija sob o efeito destes medicamentos

Nem todo mundo sabe, mas muitos medicamentos afetam nossa cognição e nos deixam, de certa forma, inaptos ou menos aptos a praticar a condução de automóveis. Saiba mais e evite acidentes no nosso trânsito!

Doutor Multas, Escritor de Não Ficção
Publicado por Doutor Multas
há 6 meses

A condução de automóveis é uma responsabilidade grande para os indivíduos que adquirem carteiras de motorista. O sonho de ter a liberdade de locomoção também traz uma grande responsabilidade frente aos pedestres e outros motoristas que trafegam no nosso trânsito. Logo, é sempre bom estar ciente dos medicamentos que não devem ser consumidos concomitantemente à prática de condução de automóveis.

Sabemos que existe um ensino intensivo nas autoescolas e que as pessoas que obtêm a carteira passam por um treinamento e testes para garantir sua aptidão, porém, alguns conhecimentos são aprendidos com a própria vivência no trânsito. Então, se você faz ou costuma fazer uso de algum medicamento, que tal saber mais sobre as consequências disso para a sua direção? Veja, aqui, alguns medicamentos que talvez você não saiba que podem prejudicar sua cognição.

· ANTIDEPRESSIVOS: podem causar perda de atenção, além de dificuldade de visão e afins. Aos que fazem uso de tais remédios, a atenção deve ser redobrada, já que a concentração e a vigília são prejudicadas. São responsáveis por inibir seletivamente a receptação de serotonina que, como consequência, desencadeia agitação, tontura, fadiga e até ansiedade.

· ANALGÉSICOS: são os reis da automedicação, usados de forma intensa contra dores em geral, podendo ser confundidos com remédios leves. Podem gerar sérios danos à concentração de um condutor, pois causam sonolência demasiada. Além disso, podem causar euforia, passividade, sedação e até mesmo vertigem.

· BRONCODILATADORES: são as substâncias utilizadas para desobstruir as vias aéreas, que podem ter por consequência, por exemplo, taquicardia, tremores e convulsões. Então, tome cuidado com esses medicamentos e com o seu consumo paralelo ao uso de carros e motos.

· ESTIMULANTES: para os que costumam fazer academia e uso de suplementos, é necessário ter atenção redobrada, já que o uso de estimulantes anteriormente à condução de automóveis pode causar irritabilidade e sono.

· NEUROLÉPTICOS: algumas pessoas precisam desse tipo de medicamento para fazer o tratamento de psicoses, o que pode causar a redução de reflexos, sonolência e outros comprometimentos cognitivos.

· OPIOIDES: são indicados para pessoas que sofrem dores crônicas. Foi encontrado, em estudos, que pacientes em tratamento com morfinas durante longo período estão mais envolvidos em acidentes.

· ANTI-HISTAMÍNICOS: são os famosos antialérgicos. Cerca de metade dos indivíduos tratados com as doses convencionais tem sonolência, além de falta de atenção, tontura ou confusão mental.

· ANTIPSICÓTICOS: para quem sofre com a condição da esquizofrenia, os antipsicóticos acabam sendo recomendados. Pacientes tratados com os medicamentos integrantes desse rol farmacêutico demonstram alterações psicomotoras, diminuição da visão periférica, alteração do estado de vigilância e, por fim e mais grave, perda de memória de longo prazo, elemento que pode colocar em risco tudo o que foi aprendido na autoescola.

Percebemos, portanto, a necessidade de consciência e de informação, por parte dos indivíduos, sobre as substâncias que ingerem e as consequências que isso pode causar para a sua vida e a dos transeuntes. Logo, se você dirige e faz uso de algum tipo de medicamento, seja controlado ou descontinuado, converse sempre com o seu médico ou farmacêutico responsável pela venda para saber mais detalhes sobre os efeitos colaterais e os impactos na condução de veículos.

Existem medicamentos que acabam tendo uma ação depressora, ou seja, que causam sonolência, cansaço, debilidade, tonteira e por aí vai. Todos esses elementos são preocupantes na condução veicular. Ao fazermos uso de um medicamento no exercício de condução automotiva, precisamos ter pleno conhecimento dos efeitos colaterais e adversos que ele pode nos causar. Esse artigo tem o objetivo de alertar, informar e tornar as pessoas cientes da necessidade de atenção a esses detalhes que, infelizmente, podem passar despercebidos.

Em resumo, preste sempre atenção na bula do remédio que está ingerindo. Nela, há recomendações, contraindicações e efeitos colaterais. Logo, conscientes do que está na bula e das restrições que temos frente ao uso dos medicamentos, sabemos o que esperar após o seu uso.

O uso dessas substâncias pode trazer riscos ao motorista, por lhe privar de alguns dos seus sentidos e reflexos.

Entretanto, vale a pena lembrar também das consequências de ser pego dirigindo sob efeito de substâncias psicoativas, especialmente aquelas listadas pelo Ministério da Saúde como _entorpecentes_ (Portaria 344/1998 – SVS/MS). A infração é considerada gravíssima, passível de multa e suspensão do direito de dirigir por doze meses. Caso o motorista sob efeito de medicamentos psicoativos se envolva em um acidente de trânsito, será submetido a testes de alcoolemia, exames clínicos, perícia ou outro exame que, por meios técnicos ou científicos, em aparelhos homologados pelo CONTRAN, permitam certificar seu estado.

Podemos ver tal determinação no artigo 165 do Código de Trânsito Brasileiro.

“Art. 165. Dirigir sob a influência de álcool, em nível superior a seis decigramas por litro de sangue, ou de qualquer substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica.

Infração – gravíssima;

Penalidade – multa (dez vezes) e suspensão do direito de dirigir;

Medida administrativa – retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado e recolhimento do documento de habilitação.

Parágrafo único. A embriaguez também poderá ser apurada na forma do art. 277”

Então, tome cuidado com sua saúde e bem-estar! Lembre-se sempre de estar ciente de todos os efeitos colaterais do tratamento que estiver fazendo, evitando surpresas desagradáveis.

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Fontes:

https://doutormultas.com.br/dirigir-efeito-medicamentos-cuidados/

http://transitoideal.com.br/pt/artigo/1/condutor/61/medicamentos-que-podem-afetaracapacidade-de-dirigir

http://www.transportabrasil.com.br/2013/05/medicamentos-que-interferem-na-direcao-veicular/

https://cemedmg.wordpress.com/2013/09/11/medicamentos-que-podem-comprometeradirecao-de-veiculos-cuidado/

47 Comentários

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Esculoe, porém a interpretação dada ao artigo 165 está incorreta. Art. 165. Dirigir sob a influência de álcool, em nível superior a seis decigramas por litro de sangue, ou de qualquer substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica. O artigo em questão menciona "ou QQ substância entorpecente. S Lei 11.343/2006, em norma explicativa, traz dispositivo que considera “droga” como sendo a substância capaz de causar dependência, mas que seja especificada como tal em lei ou em listas atualizadas periodicamente pelo Poder Executivo da União.Pois bem, a norma que complementa a Lei 11.343/2006, definindo o que é considerado “droga”, é a Portaria 344 de 1998 da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde (SVS/MS).A Portaria 344/1998 – SVS/MS sobeja o direito penal e regula não só entorpecentes, mas também medicamentos e outras substâncias ou produtos que, no âmbito da vigilância sanitária, são sujeitos a controle especial. Porém para fins de.multa ou penais, apenas o que estiver listado como ENTORPECENTES é que pode estar sujeito às penalidades da referida lei. continuar lendo

Marrie,

Muito boa a sua explicação. O texto original do Doutor Multas, é interessante por levantar o assunto, mas vago porque não lista efetivamente os medicamentos de uso proibido. Fica a impressão que tudo é proibido. A titulo de colaboração, a portadia 344/1008 SVS/MS está no link abaixo http://bvsms.saúde.gov.br/bvs/saudelegis/svs/1998/prt0344_12_05_1998_rep.html

E os produtos entorpecentes listados no anexo 1 são 88 (lista A1) + 15 (lista A2) continuar lendo

Perfeitamente, está corretíssima a sua interpretação. De outra forma, cardíacos, diabéticos, hipertensos não poderiam dirigir... Contudo essas questões de saúde deveriam objeto de maior rigor na renovação das carteiras! continuar lendo

Prezada Marrie Suzanne e demais interessados, boa noite,
Em janeiro/2018 eu renovei minha CNH, com a mudança da categoria de AD para AB, devido à minha aposentadoria por invalidez e ao uso contínuo de opióides, cujos estão listados na Portaria ANVISA/MS nº 344/1998 como entorpecentes "A1" e "B1", MORFINA e CODEÍNA, respectivamente, haja vista o tratamento para dor crônica intratável, CID-10 R52.1, contudo, apesar de eu ter juntado o relatório médico e cópias das receitas no requerimento para mudar a categoria da CNH, o DETRAN/RJ NÃO encontrou nenhum motivo para suspender NEM revogar a minha CNH, sendo assim, a interpretação do Art. 165 NÃO é óbice para o motorista manter tratamento, certificado, com o uso de substâncias entorpecentes, portanto, NÃO há qualquer impedimento para dirigir, além da manutenção das receitas e dos relatórios médicos atualizados, ou seja, com validade de até 90 (noventa) dias. continuar lendo

Esse anexo com a lista de entorpecentes está sendo constantemente atualizado, então tem que ficar atento.
Segue link da ultima atualização que conheço:
http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?data=20/03/2017&jornal=1&página=55&totalArquivos=164

Muitos dos medicamentos das categorias que citou, como alguns antidepressivos, não afetam a capacidade de dirigir, como apresentado em suas bulas e vários estudos. E estão listados pela ANVISA apenas como controlados.

Independente da legislação, o certo é fazer a leitura da bula, sobre os efeitos na condução de veículos e máquinas pesadas, até mesmo para medicamentos não controlados. continuar lendo

Lendo os comentários, pensei: Que tal também proibir os distraídos, os que por algum motivo possa sofrer um avc, os que podem vir a ter uma crise glicêmica? Porque não? Em um pais em que se aceita que um sujeito proponha e aprovei lei que proíbe saleiro à mesa, à revelia da capacidade do cidadão de fazer sua escolha, nada mais natural que continuar a saga de restringir mais as opções de cada um. Adoramos uma proibição, mesmo que inócua, pois beber e dirigir é proibido e os acidentes estão por aí toda a hora! Que tal focar na informação e na punição pesada? Instrui e puni! Aliás, das medicamentos citados, qual o percentual de acidentes com que contribuíram no montante geral? Antes de qualquer opinião, é importante ter este dado em mão! Corremos o risco de tornar a vida de boa parte da população bem mais difícil por conta de algo que é irrelevante estatisticamente! continuar lendo

Prezado Hans Ribentrop, boa noite,
Em janeiro/2018 eu renovei minha CNH, com o requerimento para mudança da categoria de AD para AB, devido à minha aposentadoria por invalidez e, sobretudo, o uso contínuo de opióides, cujos estão listados na Portaria ANVISA/MS nº 344/1998 como entorpecentes "A1" e "B1", MORFINA, FENTANILA, GABAPENTINA, PREGABALINA e CODEÍNA, haja vista o tratamento para dor crônica intratável, CID-10 R52.1, contudo, apesar de eu ter juntado o relatório médico e cópias das receitas no requerimento, para mudar a categoria da CNH, o DETRAN/RJ NÃO encontrou nenhum motivo para suspender NEM revogar a minha CNH, sendo assim, a interpretação da norma do Art. 165 deve ser expandida para excluir o tratamento, portanto NÃO há óbices para dirigir e manter tratamento, certificado, com o uso de substâncias entorpecentes, enfim, NÃO há qualquer impedimento para dirigir, além da manutenção das receitas e dos relatórios médicos atualizados, ou seja, com validade de até 90 (noventa) dias. continuar lendo

Ou seja, não dirija de jeito nenhum! hehehehehe continuar lendo

Ou seja, totdos medicamentos. continuar lendo

Infelizmente estamos no brasil pois um deputado que tem mais de 800 pontos na carteira continua dirigindo e mais querem colocar no Ministério do trabalho uma pessoa que tem varias denuncias contra ele no proprio ministério continuar lendo

Mas se ele tem 800 pontos deve dirigir muito bem, as pessoas normalmente tem 21 e vão perdendo ao levar multa... continuar lendo